segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O grito silencioso

Passeando na avenida dos meus pensamentos, encontro em uma das paradas um velho solitário. Olhei para ele, e achei interessante seu semblante e seu olhar, diante da intensa midriase de sua pupila, penetrei nas profundezas de sua história. Nelas naveguei em um universo de sonhos e realidades que continham alegrias e tristezas. Deixei-me levar pela curiosidade, quando em segundos ocorre uma abrupta miose, e saio da vastidão de seu universo.
O bom velhinho me pergunta por que queres saber tanto de seu passado. Respondi-lhe que sempre busquei lições de vidas naqueles que passaram por experiências que foram regadas de amor.
O bom senhor começa a contar uma linda história, que falava de um jovem de coração grandioso, que sempre colocava seus sentimentos acima de sua razão. Tendo isso como condição de vida, buscava preencher seu coração.
Nesta procura, encontrou paixões que o confundiu. Verificou que este sentimento que o fazia efervescer, era o mesmo que fazia evaporar tudo que acontecia em seu coração.  
Procurou os maiores rios, com águas profundas e abundantes, mas que ocorrera a mesma reação, pois sua temperatura se elevava a cada descoberta.
Após muitas tentativas fracassadas, ele encontra um pequeno lago cheio de cores que o fez saltitar de emoção. Seus impulsos tomaram conta de seu ser, o levando a pensar em se atirar em suas águas. Mas por um momento parou e lembrou-se dos desertos deixados para traz. Isto lhe fez resistir, levando seu coração a uma arritmia, e como conseqüência, cachoeiras de lagrimas vermelhas caíram.
A dúvida da aproximação o fez entrar em choque, deixando seu corpo esmorecido e sua mente prostrada.  O tempo passou e o lago deixou de existir.
Hoje, sentado em seu leito vazio tenta enche-lo com rios que se misturam com o rubro da angina do seu peito levando-o a um grito silencioso que se perpetua no vácuo que só seus ouvidos captam. 
Rauly

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