Deus ainda nos escuta?
Um dia estava a pensar, e nos meus pensamentos veio-me a lembrança de certa vez quando voltando para casa, em um dia cansativo, me deparei com o semáforo fechado, parei o carro e com um olhar discreto, virei meu rosto para o lado e vi duas crianças deitadas ao relento sem camisas, maltrapilhas e em cima de um papelão.
Foi aí que meus pensamentos fluíram, e lembrei-me de uma história de um jovem que estava voltando para casa e se perguntou, será que Deus ainda conversa com os homens? E resolveu testar perguntando-lhe. “O que o Senhor gostaria que eu fizesse neste momento? Deus não respondeu, mas esta pergunta por várias vezes voltou a seus pensamentos. Foi quando veio a vontade de comprar um galão de leite. No entanto achando aquilo estranho, desviou seus pensamentos, mas na sua memória ainda vinha à necessidade de comprar aquele galão de leite. Então voltei a falar com Deus dizendo: É isso que o Senhor quer que eu faça? Confuso, parei em uma loja 24hs e comprei um galão de leite. Seguindo em direção a sua casa e sempre pensando, questionou-se para que vou querer esse galão de leite? Foi quando Deus lhes disse: “Entra nesta rua” E ele automaticamente entrou. Era uma rua de comércio e residências. Chegando até o seu final, e veio-lhe a vontade de descer do carro, e entrar na última casa. E assim o fez. Chegando lá escutou o choro de uma criança. Bati na porta. Foi quando um homem abrindo, perguntou-lhe o que queria ao que ele respondeu: Vim deixar esse leite para vocês!”
“O homem segurou o galão de leite e saiu correndo para dentro da sua casa, e entregou a sua mulher, ela sem hesitar saiu correndo para a cozinha. O homem então segurou em seus braços a criança que chorava, e voltou à porta onde ele se encontrava. Com as lágrimas caindo em sua face, disse em meio aos prantos: Nós rezamos muito a Deus, pois tínhamos muitas contas a pagar e nosso dinheiro havia acabado e não podíamos mais comprar o leite para o nosso bebê. Então pedi a Deus que nos mostrasse uma maneira de consegui-lo”.
“De repente sua esposa gritou da cozinha: Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco de leite. O jovem de imediato tirou de sua carteira, todo o dinheiro que tinha e entregou-lhes. Ao voltar ao carro se esvaindo em lágrimas disse pra si mesmo: “Deus ainda responde aos pedidos dos que nele acreditam.”
Depois que toda esta história passou em minha mente, o sinal abriu e o carro que estava atrás buzinou e eu segui meu caminho.
Todos nós somos instrumentos de Deus basta escutarmos o que ele nos fala.
Mas no trajeto até minha casa, pensei nas crianças que estavam ao relento dormindo em cima de um papelão aí pensei como nós seres humanos podemos observar uma cena como esta e não nos sensibilizarmos? Será que a humanidade está cega, ou será que nós seres humanos esquecemos da racionalidade que nos diferencia dos outros animais? Os cães selvagens procuram alimentos e quando os encontra volta a sua toca para regurgitarem e alimentarem seus filhotes. Até os irracionais sabem da necessidade de alimentarem os seus descendentes, pois reconhecem que o alimento é fundamental à sobrevivência da espécie. Quanto a nós a ambição tomou conta da nossa racionalidade fazendo o egoísmo prevalecer em detrimento da miséria e da fome, criando assim a exclusão social.
A lágrima é o sintoma mais nítido do sofrimento e da dor. É inconcebível olhar esta cena e não sentir dó, e não pensar no sofrimento que estas crianças estão passando. Parei e pensei no que cada um de nós poderíamos fazer para amenizar o sofrimento e a dor dos excluídos!!!!
. Chegando em casa, abri o portão da garagem, guardei o carro, e me dirigi à porta de entrada, lá se encontrava o meu belo cão, cheio de vida. Devia estar feliz, pois fazia muito frio e ele estava deitado em cima de um belo cobertor. De repente me veio à cabeça as duas crianças que se encontravam ao relento, dormindo em um papelão, numa noite fria.
Pensei, meu Deus, duas crianças sem família entregues ao mundo. O que será delas no futuro, que destino cruel as reserva? Fui para o meu quarto lá estava a minha cama com um belo cobertor. Tomei um banho quente e deitei, mas os pensamentos continuavam voltados para aquelas crianças. Foi aí que tentei justificar a minha omissão refletindo: “como elas, deve haver centenas iguais e já que a tarefa de retirá-las da rua é do governo, para quem pagamos impostos”. Fechei os olhos para dormir, mas meus pensamentos não permitiram, pois, não saía da minha mente aquele quadro. Então decidi levantar. Peguei uma sacola, o maior cobertor que tinha algumas roupas que não mais usava pão, queijo e leite, abri a garagem e saí em direção às crianças. No trajeto perguntei a mim mesmo se era isto que meu coração queria que eu fizesse. Rapidinho, cheguei onde eles estavam, ao descer do carro, observei que os dois, encontravam-se sentados e abraçados, pois a noite estava fria.
Perguntei-lhes: Vocês moram aonde?
Um deles respondeu: “nós moramos em uma comunidade longe daqui”. Eu então perguntei o que eles faziam naquele local e àquela hora, eles responderam que estavam ali, porque não tinham como ir para casa.
Fui então ao carro e tirei a sacola com as coisas que tinha levado para eles, e disse isto é para vocês tentarem dormir. Então um deles falou: “Nós estávamos com muito frio, e não tínhamos como nos aquecer, então nos abraçamos e começamos a pedir a Deus que fizesse algo” Dei-lhes tudo o que tinha levado, e fui para minha casa, refletindo sobre a minha atitude e pensei: “Será que fiz algo que diminuísse o sofrimento delas e que me elevasse o espírito?”
Todos nós somos instrumentos de Deus. Basta escutarmos os nossos corações, pois é por ele que Deus nos fala.
Rauly